HELLO, HALO!

ferrarihalo.jpgRIO DE JANEIRO | Os testes da pré-temporada, que via de regra dão um pequeno diagnóstico do que pode ser o campeonato no que se refere a equipes favoritas ao título, desta vez nos apresentaram o novo dispositivo de segurança adotado pela FIA na F-1: O HALO. Amado por uns, odiado por outros. E não falo dos fãs, mas sim dos pilotos.

Fernando Alonso é da opinião de que não deveria sequer existir debate sobre o assunto, uma vez que é a segurança dos pilotos que foi aumentada. Já Kevin Magnussen escrachou o dispositivo, inclusive fez um alerta de que o HALO pode atrapalhar os pilotos na Eau Rouge. É um aviso sério.

A verdade é que o HALO não é um aparato de segurança definitivo para carros monopostos. Ele pode proteger os pilotos no caso de um pneu atingir o cockpit, ou mesmo de um carro passar por cima da cabeça do piloto. Afirma-se que o HALO pode suportar o peso de um ônibus. Mas o HALO não protege o piloto caso venha em sua direção peças menores, como uma mola ou restos de carenagem. Será que o HALO impediria acidentes como o de Massa ou o de Justin Wilson, este último fatal? Será que o HALO impediria outro acidente fatal, como o de Jules Bianchi? E se impedisse, como ficaria o resgate do piloto? Seria dificultado?

O HALO não é a solução definitiva, mas por outro lado a FIA quis mostrar serviço. Gastaram um mundo de dinheiro em pesquisas, testaram o Aeroscreen (que é a direção que a Indy está tomando) e não chegaram a uma conclusão final. Então, a FIA teve que justificar o tempo e o investimento gastos. Seria constrangedor dizer: “não chegamos a conclusão nenhuma”.

 

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SEM ELAS

Resultado de imagem para grid girls formula 1RIO DE JANEIRO | A Liberty Media, nova dona da F-1, baniu as tradicionais grid girls das corridas. Disse em comunicado que as grid girls “não estavam de acordo com os valores da marca”.  A partir deste ano de 2018 não veremos mais as belas e simpáticas moças segurando as placas com os números dos carros, no grid, antes das largadas das corridas.

Esta é mais uma mudança realizada pela Liberty desde que adquiriu a F-1 de Bernie Ecclestone. A empresa está deixando a F-1 mais forte nas redes sociais, tem se esforçado mais pelo espetáculo e busca cada vez mais aproximar os fãs. Estão deixando a F-1 com uma cara mais moderna. Querem melhorar a experiência do fã, como se diz. Tudo muito bom, tudo muito bem.

No entanto, o exagero é indiscutível. Por exemplo: estão estudando, durante as transmissões televisivas, colocar músicas em determinados pontos da corrida. Agora, resolveram que as corridas não começam mais no horário “cheio”: as corridas começam a ser transmitidas dez minutos depois. A alegação é que as TVs podem usar estes dez minutos para mostrar os instantes antes da largada. Muito bem, até parece que a Globo, por exemplo, vai fazer isso. A TV fechada, esta sim, com horário cheio ou redondo, já faz isso há séculos. Bola fora, é claro. Ah, sim, as etapas europeias vão começar uma hora mais tarde. Então, as corridas que antes começavam às 9h de Brasília, começarão às 10h10. Não sei muito bem que efeito prático, no final das contas, isso vai ter.

Mas fiz este preâmbulo todo para falar das grid girls. O fim delas nas corridas faz parte deste pacotão de mudanças implementado pela Liberty. A questão aqui é, sem dúvidas, estar alinhado com um mundo e sociedade cada vez mais hipócritas, sob a alegação de que o machismo e o assédio não podem ser estimulados e promovidos. O discurso, no fim, é esse. E eu concordo, não pode mesmo, sob nenhuma hipótese. São atitudes abomináveis. Assédio é crime. Mas o alvo, este sim, a Liberty errou. É aí que entra a hipocrisia.

Essa gente se esquece de que a grande maioria das pessoas não é doente mental, ou tarada. As grid girls têm o mesmo peso de tradição que as cheerleaders, por exemplo. Este tipo de mudança não muda uma vírgula quando se tem gente criminosa, pervertida ou psicopata espalhada pelo mundo. O problema está aonde, afinal? Qual deve ser o alvo? Onde que a conscientização precisa estar?

Lembro que na época do Ecclestone ele sugeria dez absurdos para que apenas um fosse aprovado, e mesmo assim com ressalvas. Já com a Liberty, todos os absurdos que ela propõe serão levados a sério e implementados. O mais rápido possível.

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INDY 500 IN RIO

RIO DE JANEIRO | Outro dos meus sonhos cinematográficos e cheios de detalhes.

Sonhei que a Indy estava promovendo uma edição itinerante das 500 Milhas de Indianapolis. Como o Rock in Rio, que já teve em Lisboa e Nova York, apesar de ser “Rio”. E organizaram uma prova do Rio de Janeiro. Isso mesmo! O detalhe é que todas as instalações eram improvisadas e provisórias, não só o autódromo, mas todas as atrações chamadas “satélite”.

Vamos aos detalhes: para entrar, o visitante passava primeiro por uma espécie de parque, cercado por grades que lembram as do Central Park. Tudo perfeitamente gramado, crianças correndo, famílias passeando. Mas isso fazia parte do caminho para chegar à pista em si, e o parque era comprido porém estreito, talvez uns 50 metros de largura. E o caminho para a pista era longo.

Passando o parque, tinha uma pista de bike cross, com rampas de terra acidentadas e acinzentadas. Atração aberta ao público, era só pegar a bicicleta e se aventurar. Esta parte estava vazia.

Lembro que não tinha estacionamento dentro do complexo, era possível ver uma fila grande de carros do lado de fora.

Depois de andar bastante, chegávamos a uma bilheteria, parecia bilheteria de circo de interior, uma barraca de latão pintada de vermelho e branco, meio enferrujada. Estava acontecendo um treino livre naquele momento. Era possível ver uma parte da pista do lado de fora, uma parte da curva 1, inclinada, um asfalto quase preto, como se tivesse sido colocado no dia anterior, e tudo cercado de mato e barro. Havia uma única arquibancada, pequena, na reta principal. De estrutura tubular, destas que se montam e desmontam rapidamente. A menina que atendia chamou alguém para cobrar o ingresso, aí apareceu um americano que parecia o Alan Jackson, com um maço de notas de dinheiro na mão. Ele explicou a modalidade de cobrança, que achei (de verdade) interessante: o valor do ingresso era de acordo com quem estava correndo no momento. Desta forma, se estivesse correndo o Scott Dixon, o ingresso era 50 dólares; se fosse um, digamos, Max Chilton, era 5 dólares. Justo. Gostei. Foi então que a menina avisou que não valeria a pena entrar, porque o treino estava no final, o Dan Wheldon estava terminando a sessão.

Dan Wheldon venceu as 500 Milhas de Indianapolis em 2011 e morreu no mesmo ano.

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CRITÉRIOS

massaout.jpgRIO DE JANEIRO | Interlagos merece continuar no calendário da F-1? Pelo que mostrou na última corrida, sim: emoção, humanidade, técnica, chuva, perigo. Tudo o que o torcedor gosta, foram as quatro horas mais felizes de quem esteve nas arquibancadas. O resultado da TV também foi ótimo, a Globo registrou a melhor audiência do Grande Prêmio do Brasil desde 2012.

Felipe Nasr está com sua vaga na F-1 ameaçada para o ano que vem. Pelo que ele fez na última corrida, merece continuar. Mostrou técnica, pilotou magistralmente e não errou. Somou dois pontos para a Sauber, que estava zerada no campeonato. Pode parecer pouco, mas na divisão de dinheiro entre as equipes no final do ano, é uma grana importante que entra nos cofres da equipe. Que precisa muitíssimo, aliás. Pode-se dizer que Nasr aliviou a corda no pescoço da equipe. Agora a última colocada no campeonato de construtores é a Manor.

Desta maneira, tanto o GP do Brasil quanto Felipe Nasr merecem continuar na F-1. Mas o merecimento não será o critério. O critério será o dinheiro.

Diz que esta corrida no Brasil deu prejuízo de R$ 10 milhões, e no ano que vem projeta-se prejuízo de R$ 100 milhões. Bernie Ecclestone já avisou que o evento não pode pagar à F-1, pressupõe-se que mesmo com contrato até 2020 a corrida no Brasil pode não figurar mais no calendário já a partir do ano que vem.

O critério para a permanência de Nasr na F-1, pela Sauber (que é a única equipe que restou, as demais já têm seus pilotos definidos para 2017), também será o dinheiro. Ele pode ter sido o herói da temporada para a equipe, mas a equipe deverá optar por quem leve mais dinheiro. Será que o Gutierrez não faria o mesmo que Nasr nesta corrida? O mexicano tem o dinheiro de Carlos Slim, que não é pouco, não.

Cruel. A F-1 é cruel.

* * *

Felipe Massa despediu-se da pior e da melhor maneira possível. Que turbilhão de emoções deve ter vivido após bater.

* * *

E o Verstappen, hein?

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AUDACIOSAMENTE INDO

emblemasRIO DE JANEIRO | Há exatos 50 anos estreava pela rede de televisão americana NBC a série Star Trek, ou Jornada nas Estrelas, um bang-bang espacial criado por Gene Roddenberry que arrebatou fãs no mundo inteiro. A série durou apenas três anos, de 1966 até 1969, somando um total de parcos 79 episódios — uma ninharia para os padrões de séries de hoje em dia. A série inicialmente duraria menos ainda, a NBC cogitou tirar Star Trek do ar devido aos baixos índices de audiência, mas um grupo numeroso de fãs organizou uma petição e a série foi esticada mais um pouco.

As três temporadas na TV renderam seis filmes com o mesmo elenco que interpretava a tripulação da USS Enterprise NCC 1701. Nos anos 1980 surge Star Trek – Next Generation, ou Nova Geração, com uma tripulação nova em uma época futura. O capitão, interpretado pelo escocês Patrick Stewart, não era a opção de Roddenberry. Segundo o criador da série, um capitão não poderia ser escocês e careca. Roddenberry concordou, depois. Inicialmente os fãs resistiram à nova tripulação. Onde já se viu a Enterprise sem o Spock? Mas os fãs concordaram também, depois.

Após a Nova Geração ainda teve Deep Space Nine, Voyager (com a tripulação sendo comandada por uma mulher) e séries animadas. E em janeiro vem Discovery, oportunamente pelo Netflix. Além dos filmes da série clássica, temos filmes da Nova Geração e recentemente os filmes retratando a tripulação jovem da primeira série.

Isso tudo para dizer que o que difere Star Trek de seus congêneres na ficção científica é justamente a diversidade humana de seus personagens, seus conflitos, seus medos. É material farto demais para trabalhar, gera séries e filmes em quantidade quase infinita. Tudo isso resultado da semente plantada por Gene Roddenberry. Conta-se que o orçamento da primeira série era baixíssimo, não permitindo a produção de grandes efeitos especiais ou cenários rebuscados, no que os roteiristas compensavam com ótimos diálogos, histórias que mostravam muito mais um embate humano e comportamental do que phasers e explosões. Chegava a ser uma audácia falar de guerras na época da Guerra do Vietnã, ou de conflitos políticos interplanetários na época onde as relações entre Estados Unidos e União Soviética eram tensas. Star Trek falou e fala de tudo isso e muito mais, representa a humanidade.

Que Star Trek continue indo. Audaciosamente.

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SETLIST OLÍMPICO

RIO DE JANEIRO | Não sei o que vão fazer, e como vão fazer, na abertura dos Jogos Olímpicos no Rio. Fico na verdade pensando que artistas chamarão para a cerimônia, que atletas, que personalidades.

No que diz respeito à música e o que ela representa em um evento como este, penso que deve representar — ou melhor, contar — a história da nação, do povo, falar de passado, presente e perspectivas.

Desta maneira, eu faria assim: chamaria o maestro João Carlos Martins e abriria a cerimônia com ele ao piano tocando o Hino Nacional. Em um piano Essenfelder, que é (foi?) uma marca brasileira. Seria simbólico. Depois, Martins passaria à regência de uma orquestra sinfônica.

A seguir a orquestra tocaria “O Guarani“, de Carlos Gomes. Uma coreografia contaria a história do Brasil, começando pelos Índios até os dias atuais.

Pensando bem, “O Guarani” não, pelo péssimo estigma da “Voz do Brasil”.

Depois, “Bachianas Brasileiras no. 2“, de Villa-Lobos. Mostraria o presente, o progresso do país, perspectivas futuras, o pouco que com muito custo alcançamos.

Chamaria Toquinho e sua “Aquarela“, cai bem com exibições performáticas. Chico Buarque, Caetano e Gil. Roberto Carlos, não cantando “Emoções”, mas sim “Um Milhão de Amigos” aos amigos em todo o mundo, mostrando que o esporte é isso, agregador de povos e multidões. Paralamas, Capital Inicial, mostrando que aqui também se faz rock, e bom. Se bem que seria difícil escolher alguma coisa do repertório ácido deles para a ocasião. Ivete cantando “Aquarela do Brasil” (ela já gravou?) e Teló cantando qualquer coisa, já que o público brasileiro e o público internacional gostam dele (perdão, não é preconceito!).

Alguns artistas que citei podem não concordar em participar por razões ideológicas, outros podem não chegar a um acordo financeiro, outros não serão chamados.

Mas tomara que a cerimônia não seja um espetáculo de horrores do ponto de vista cultural, que seja justa, que chamem pessoas certas, artistas e atletas (seria um crime, por exemplo, não chamarem o Pelé; não duvido).

Este setlist poderia ser chamado de justo?

 

 

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DEUS E O GATO DE SCHRÖDINGER

RIO DE JANEIRO | Pessoas dizem que Deus existe, outras dizem que não, outras tantas dizem que não se pode afirmar Sua existência sem meios científicos ou tangíveis. Estes últimos seriam, em linhas gerais, os agnósticos.

Eu admito que Deus existe, mas qual é o Seu verdadeiro estado, Seu desígnio, como Ele é? Aí cheguei até ao paradoxo do Gato de Schrödinger.

O físico austríaco Erwin Schrödinger propôs este experimento mental da seguinte forma: imagine um gato dentro de uma caixa, um contador de Geiser (que detecta níveis de radiação), um martelo e um frasco de veneno. Quando o contador atinge um determinado nível, o martelo quebra o frasco e o gato morre. A caixa não é transparente, portanto sem olhar dentro da caixa não é possível saber se o gato está vivo ou morto. Desta forma, o paradoxo conclui que o gato está vivo e morto ao mesmo tempo, em dois estados simultâneos, porque não abrimos a caixa e não podemos afirmar seu estado neste momento. O paradoxo é longo e complexo, mas este é um bom resumo.

Se Deus existe mas não sabemos como Ele é (qual é o Seu estado), acredito que devamos abrir a caixa. Enquanto não fazemos isso, Deus pode ser tudo e ter todos os aspectos possíveis. Isso não ajuda, ainda mais nesta sociedade depravada, rendida ao relativismo, e nestes dias caóticos.

Mas o que me assombra, me tira o sono e me aterroriza não é isso. É como se faz para abrir a caixa. Simplesmente não sei e daria tudo para conseguir.

Espero um dia apresentar alguma conclusão sobre isso.

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